domingo, 22 de março de 2015

Belo Horizonte, 22 de março de 2015 (22:15)

Tive vontade de escrever cartas, dezenas delas. Fiquei muito em dúvida do remetente, não que fosse mesmo necessário, visto que eu provavelmente não iria enviar nada a ninguém mesmo. Abandonei o projeto.

Não o nosso das cartas de Otto Lara Resende e Murilo Rubião, mas esse meu muito mais bobo. O outro, aliás, que coisa mais linda! Divertido, poético, histórico, político. Não conhecia Murilo e, sabe, é engraçado como compartilhamos exatamente a mesma visão de Paris e Madrid. Mais engraçado ainda é eu pensar em dizer que o conheço depois de algumas cartas que li e que sequer foram a mim endereçadas. Mas é como se fossem, é como se eu o conhecesse. E se não for, ficou sendo. Aliás, uma bobeira mesmo essa coisa de remetente, não é? Escreve-se para o mundo, talvez. Será que ele imaginava suas cartas sendo objeto de estudo? Objeto de qualquer outra coisa que não uma simples correspondência?

E tantas outras coisas eu não conhecia. Você não faz ideia.

(Ou faz?)

Tem sido doce. Minto, nem sempre. As vezes dá medo e tem um pouco de peso, como quase todo passo que damos em direção ao suposto desconhecido. Se um dia nunca imaginei nada disso, hoje imagino o tempo todo. Faço parte. Me orgulho. E quero - muito - mais.

Sei que a hora não é a mais adequada, talvez você me censure, mas isso não é trabalho não. É urgência. Algumas coisas precisam simplesmente sair de dentro da gente: ou porque são grandes demais, ou porque falam alto demais, porque pesam, porque voam.

Um beijo,